Umas das expressões que mais ouvimos quando se fala de reivindicações é que “Quem não chora, não mama”. Chegamos a ouvir a mesma frase a ser proferida por Presidentes da Câmara.
Quando temos filhos sabemos que há diferentes tipos de choro e acabamos por os conhecer. Há aqueles bebés que já sabemos que têm alguma esperteza e choram apenas para chamar a atenção, aquele choro de mimo. Depois há aqueles choros que sabemos que têm um motivo sólido, algo está mesmo a fazê-los gritar.
Podemos transpor isto para as reivindicações políticas ou da sociedade civil.
Na Mobilidade e no Urbanismo queixamo-nos sempre que Porto e Lisboa ficam com o financiamento todo, e que Braga e outras cidades nunca ficam com nada, ou com muito pouco.
Ultimamente temos ouvido e lido que é desproporcional uma cidade portuguesa ter 1000 milhões de investimento comunitário e Braga apenas 76 milhões. Ninguém discorda que é de facto desproporcional.
Mas porquê que Lisboa e Porto conseguem mais fundos comunitários que os restantes Municípios? A resposta é simples: têm projetos prontos a serem submetidos. Planeiam e elaboram projetos que ficam à espera que abram fontes de financiamento, quando abrem os Avisos dos Fundos Comunitários, é praticamente só submeter os projetos.
Sabemos que o Metro de Lisboa e do Porto têm sempre projetos prontos a serem submetidos para o sistema poder crescer ou ser melhorado. Sabemos que a Câmara de Oeiras já aprendeu e tem sempre vários projetos prontos em diversas áreas, para serem submetidos.
Essa é a forma de trabalhar correta: planear, com tempo para pensar e maturar as ideias, dentro de uma estratégia e de uma visão. Ter tudo pronto para ser submetido a financiamento. Não há financiamento apenas para ideias.
O Presidente da Câmara já disse que vai reivindicar maior investimento na Mobilidade para Braga. Muito bem, esperemos que o faça.
A pergunta que se impõe é: que projetos é que Braga tem prontos para serem submetidos para candidaturas europeias?
Publicamente conhecidos há o projeto de 2017 para a reformulação de toda a Rodovia. Publicamente não se conhece projeto de nenhuma das linhas do BRT. E alegadamente há um projeto para a Variante do Cávado que, a existir, deveria ser do conhecimento público.
Agora, para o grosso dos problemas de mobilidade do concelho, que projetos existem? Que projetos de requalificações de Avenidas existem? Está reservado espaço canal para ferrovia? Quais são os planos para os “Comboios Urbanos de Braga”, para o “Sistema do BRT” e como se planeia “abrir caminho para o metro de superfície”, como constava no curto programa eleitoral do Presidente? Será através de um tram-train, como estava previsto no programa eleitoral com mais de 440 medidas concretas do Amar e Servir Braga?
Qual é a Estratégia? Qual é o Plano? Vamos ter um choro com motivo, ou só um choro de mimo?
Afinal que mobilidade se pretende induzir em Braga e o que se quer exatamente financiar?
Com choro de mimo, não há mobilidade que se induza.
