O planeamento urbano é uma opção política com grandes implicações sociais, económicas e até técnicas.
Queremos um concelho coeso onde seja possível os cidadãos fazerem a sua vida diária sem necessidade de perderem muito tempo em deslocações do dia a dia. Ou seja, um concelho onde é possível deslocações para o trabalho, às compras, aos serviços ou às escolas, utilizando o transporte público, a bicicleta ou ir a pé, num quarto de hora.
Para que isto seja possível a construção tem de ser densa, de usos múltiplos, ou seja, com zonas com moradias unifamiliares e zonas com edifícios de uso misto que integrem o comércio, os serviços e a habitação.
Estes edifícios de uso misto têm exigências diferentes da construção de edifícios de uso único, falo de transportes, esgotos, abastecimento de água, estacionamento, etc.
Braga precisa de recuperar e dar vida ao seu bimilenar centro histórico, ser capaz de atrair lojas âncora, investimento e pessoas que se desloquem às lojas e nelas consumam. O centro histórico de Braga há muito que tem perdido capacidade de atração de clientes e de lojas. Ali, no centro histórico, é necessário preservar a memória, respeitá-la e não inventar.
A região precisa de defender as infraestruturas regrantes que poderão ser vitais para o Minho, como seja a estação de Alta Velocidade, as redes rodo e ferroviárias e as ligações aos concelhos vizinhos. Tudo isto deveria já estar previsto no PDM – Plano Diretor Municipal, que está para aprovação.
O PDM deve refletir uma visão de cidade a longo prazo com implicações diretas na mobilidade, na construção, no comércio, nos serviços, nas necessidades de infraestruturas, na indústria, na dinamização do centro histórico e na economia.
O Plano esteve numa 2.ª discussão pública e a sua documentação final, com 92 documentos com centenas de páginas, chegou-nos às mãos apenas no dia 17 de dezembro de 2025. Não está disponível desde Janeiro, como diz o Presidente da Câmara.
O PDM é demasiado sério para ser analisado e votado em 2 dias. Poderão ser tomadas medidas provisórias ou até preventivas que se justifiquem, para que alguns empreendimentos e investimentos não sejam colocados em causa.
Antes da Ordem de Trabalhos da próxima reunião de câmara ter sido recebida, 6 dos 11 vereadores convocaram uma reunião extraordinária para o dia 12 de janeiro, com o ponto único a ser discutido a ser o PDM.
Perante esta convocatória, o Presidente decidiu, de forma inconsequente e irresponsável, colocar o PDM na OT da próxima reunião de câmara de dia 22. Caso o ponto passe na votação e vá a uma reunião extraordinária da assembleia, uma coisa é certa, nunca será publicado em DR – Diário da República em 2025. Tínhamos razão: não há novo PDM em vigor em 2025.
O bom senso de quem lidera um executivo de 11 pessoas deveria determinar que se procurasse encontrar uma data comum, se procurasse responder efetivamente a todas as questões que existem e que se dialogasse. O diálogo não se faz com trocas de emails, nem através da comunicação social, mas sim presencialmente. Quem lidera um executivo onde os vereadores a tempo inteiro são minoritários, precisa de dialogar muito com os restantes vereadores que compõem o executivo municipal. Isso não tem acontecido.
O caminho optado pelo Presidente da Câmara não é o do diálogo e de humildade, é outro, é o de querer atropelar a democracia, desrespeitar e rebaixar os eleitos, fazer birra, pessoalizar e prejudicar Braga. Pelo meio vai tentando dizer que os outros é que lhe estão a criar obstáculos, que os outros não estudam, que os outros são maus.
O Presidente quer aquilo que os eleitores e os votos não lhe deram: governar sem dar cavaco a ninguém. Decidir sem ouvir, sem ceder, sem negociar.
O Presidente ainda não conseguiu dialogar para ter uma maioria dos votos dos vereadores na Câmara de Braga. As regras da democracia, as que vigoram para este mandato, por muito que agora desagradem a alguns, ditam que somos 11 eleitos a tomar decisões nas reuniões da Câmara Municipal de Braga. É um direito, e para mim uma honra, ser vereador.
O Ricardo Silva, eu e a Marta Mendes representamos mais de 20 mil eleitores, que confiaram em nós. Não os vamos desiludir. Não passamos cheques em branco, fazemos perguntas difíceis, somos exigentes com a governação do concelho que amamos, porque gostamos da excelência, e aguentamos qualquer trabalho. Haja respeito e seriedade
Não se pode gerir uma Câmara Municipal, com 11 eleitos, como se fosse um órgão presidencialista. Não é. Estamos numa república, numa democracia e o órgão é colegial.
Quando se quer mesmo governar, procuram-se pontes, fazem-se reuniões, fala-se muito. Quando não se quer, vitimiza-se, procura-se o caos, lança-se o Município no pântano. Talvez seja mesmo esse o objetivo do Presidente: o caos.
