Reza a lenda que três reis magos foram guiados por uma estrelinha para conseguirem chegar a Belém e adorar o recém-nascido prometido. Simbolicamente os três rei são representados com três presentes: o ouro por ser rei, o incenso por ser uma divindade e a mirra pela sua humanidade e sofrimento.
Montados em camelos e tendo a estrelinha como referência chegaram ao destino.
Também nas cidades precisamos de pontos de referência para chegarmos aos locais. Quando damos indicações acabamos sempre por mencionar alguma coisa que seja conhecida e visível para que as pessoas se possam guiar pelos caminhos de uma localidade.
Normalmente não são estrelas, mas sim cafés, monumentos ou até edifícios. O espaço público é usado como ponto de apoio para nos orientarmos ou até para ajudar a orientar outros.
Nas questões de orientação, para uma pessoa cega, o desenho do espaço público é essencial. A sua uniformidade é ainda mais essencial. No que diz respeito às acessibilidades e à uniformização das mesmas, Braga tem muitos passos a dar.
Os Vereadores do Movimento Amar e Servir Braga propuseram que fosse criado um Plano de Acessibilidade Pedonal e Ciclável, que permitisse que a Câmara sempre que fosse intervencionar um passeio, uma ciclovia ou até uma rua, o fizesse sempre com o mesmo critério. Lisboa já o tem. Plano que foi reconhecido e aplaudido nacional e internacionalmente. O Presidente da Câmara recusou a levar a proposta a votação em reunião de câmara.
É importante ter planos para depois serem efetivamente executados. Caso contrário vamos continuar a ter intervenções que diferem de rua para rua, sem uma leitura fácil, sem referências, difícil de explicar e de utilizar. A quem interessa isto?
Precisamos de melhor espaço público não só para que as pessoas possam optar por andar mais a pé ou de bicicleta e nos acessos ao transporte público.
Neste momento, muitas das paragens dos TUB não têm abrigo e a grande maioria delas não é acessível. Há obstáculos entre o sítio onde se espera o autocarro e o sítio onde se entra no autocarro. Muitas conseguem (ainda!) ter lugares de estacionamento de carros, em plena paragem. Não falo do estacionamento ilegal, falo de lugares marcados! Outras ficam em valetas e o acesso ao autocarro é feito com muita dificuldade.
Precisamos de melhor espaço público também para receber quem chega ao nosso concelho e à nossa cidade. O espaço público nas entradas no nosso concelho é feio, sombrio, sem referências.
Muitas são as pessoas que não se conseguem orientar ao entrar em Braga, por falta de referências, por um espaço público confuso e sem critério, por indicações de diferentes modelos, ou por falta de indicações. As entradas em Braga mereciam ser melhor cuidadas.
Ao contrário dos Reis Magos em Belém, quando entras em Braga não há “estrelinha que te guie…”.
