As cidades quando atingem os 200 mil habitantes passam a ter outros desafios na mobilidade. No meio desses desafios há opções que são inevitáveis e que já deviam ter sido tomadas com tempo. No caso de Braga até foram previstas, mas não se agiu nem se concretizaram.
Quando as cidades prevêem chegar à barreira dos 200 mil habitantes isso significa uma média de 400 mil deslocações por dia só no concelho, às quais se somam deslocações que entram no concelho. Sabendo disto há coisas que precisam de ser preparadas: o transporte de massas dentro do concelho, e o transporte de massas entre concelhos vizinhos.
Em Braga o que se preparou e o que está a arrancar? Uma linha de transporte de massas entre a estação e a Universidade do Minho, que não traz vantagens ao transporte público nos cruzamentos ao longo do seu percurso. Não se entende.
A perspectiva é que o concelho continue a crescer em termos populacionais e se nada se fizer vamos ter ainda mais caos nas nossas ruas e avenidas.
Precisamos de um transporte de massas que dê resposta às deslocações das pessoas. Se no imediato precisamos de um BRT que funcione e sirva as pessoas, precisamos também de autocarros da linha regular dos TUB que tenham vantagem no trânsito e cumpram horários. É isso que atrai as pessoas para o transporte público, nunca, em lado nenhum, foi a gratuitidade. Aliás, os TUB serem gratuitos implica perda de receitas próprias e, consequentemente, o encerramento da empresa municipal por incumprimento da lei. Quem promete a gratuitidade só pode ter uma agenda escondida.
No curto prazo é também necessário, e fundamental, que o Município de Braga e a CIM Cávado assinem um contrato interadministrativo que permita aos TUB operar para lá do Concelho de Braga. Se ainda não o fazem é por opção política, porque legalmente é possível e não é preciso mais qualquer alteração.
Por outro lado, é preciso começar a planear já uma solução ferroviária para Braga, não só para o concelho, mas para ligar aos concelhos vizinhos. Se houver projeto e visão política, o investimento vem a seguir. É assim em Lisboa, é assim no Porto, é assim em toda a Europa.
É preciso reservar o canal e iniciar os procedimentos para ligações ferroviárias diretas a alguns concelhos vizinhos. É impensável, na Europa, que concelhos como os que aqui temos à volta não tenham ligações ferroviárias. E é fundamental que a estação de alta velocidade coincida com a linha convencional, para permitir correspondência entre as ferrovias e dar às pessoas a possibilidade de fazer transbordo fácil de uma composição que circule numa destas linhas para a outra. Ou se investe na ferrovia e se reduz, com isso, a pressão automóvel nas nossas artérias, ou então achamos que os autocarros ineficientes, pouco pontuais e nada atrativos, resolvem. Só quem não usa transporte público pode defender que a aposta é no autocarro.
Para além disso é inevitável que se aposte em melhores condições para as deslocações curtas nos centros consolidados. As avenidas que já existem precisam de passar a ter ciclovias, as ruas precisam de ver a velocidade efetiva reduzida, de ter passeios, e bons passeios. A mobilidade a pé, de cadeira de rodas e em bicicleta precisa de ser uma aposta efetiva.
Para além de uma rede ciclável a introduzir na cidade consolidada, que estranhamente se propõe que saia do PDM, é também necessária a instalação de um sistema público de bicicletas partilhadas.
E é preciso fazer alguma coisa nas nossas avenidas. Os planos para o fojo e para a rodovia não saíram do papel. Para a Júlio Fragata também não. E hoje já se fala de uma VCI – Via de Cintura Interna, no Porto, com ciclovias, praças, corredores de transporte público e árvores. A VCI que tem mais do dobro do trânsito de qualquer avenida de Braga.
Certo é que é inevitável que a mobilidade passe por condições para se andar a pé, de bicicleta e de transporte público. É preciso fazer! É preciso intervir!
A mobilidade induz-se.
