O Presidente da Câmara diz que o Ministro lhe disse que garantia o financiamento de 80 milhões de euros para a totalidade da Circular Externa de Braga. Para esta obra, no Orçamento da Câmara de 2026 estão previstos mil euros e para 2027 estão previstos cem mil euros. Portanto, corre o boato que o Ministro prometeu 80 milhões, certo é que não estão previstos em lado nenhum.
Mas o que é afinal esta circular?
São duas estradas que já se falam desde 1993, com cerca de 20 km de comprimento. Uma para ligar Amares (Ponte do Porto) ao ELeclerc e a outra para ligar o Fojo a Adaúfe.
Neste momento, já existe o troço de 2,4 km entre a ETAR de Frossos e o Nova Arcada, e um estudo prévio para ligar a zona do ELeclerc à ETAR de Frossos numa extensão de 3,5 km. Não há nada mais e as verbas previstas em orçamento para 2026 e 2027 não chegam sequer para os estudos. Sobre a estrada que ligará o Fojo a Adaúfe recebemos informação oficial do Município dando nota que apenas possuem um traçado indiciário, nem sequer um estudo prévio.
A Estratégia da Mobilidade de João Rodrigues era o BRT de Braga. Mudou de ideias e deixou-o cair. Agora diz que a estratégia é construir a circular de Braga. Não há prazo para a construir.
Mas estratégia para o quê?
Diz, quem tem o pelouro da mobilidade da Câmara Municipal de Braga, que a circular servirá para tirar 50% do tráfego de atravessamento de Braga.
Isto é o que diz, mas qual é a realidade?
Quando falamos das deslocações em Braga importa fixar três números: 78, 19, 2.
As deslocações dentro de Braga são 78% e destas, cerca de metade são feitas de carro e até 3 km. Aqueles que moram em Braga e trabalham fora (ou vice-versa) correspondem a 19% das deslocações. E as deslocações de quem mora fora de Braga, trabalha fora de Braga e só passa por aqui, que são 2%.
Utilizando estes números concretos e que são acessíveis a todos nos estudos e nos Censos, podemos dizer, com base no diz que disse, que a Variante vai dar resposta a 1% do total das deslocações…
Diz ainda, quem tem o pelouro da mobilidade da Câmara Municipal de Braga, que a estratégia é resolver a vida a quem não quer nada com Braga, para depois pensar em resolver a vida a quem cá mora e trabalha.
Quem morar em Gualtar e trabalhar em Ferreiros vai continuar refém do carro. Quem trabalhar em Nogueira e mora em São Victor também. As deslocações urbanas vão continuar congestionadas no trânsito por falta de uma Estratégia Urbana para a Mobilidade. É triste.
Tudo porque, analisando o Orçamento, não se vislumbra nem obra nem plano para o futuro da mobilidade urbana. Aliás, nem da urbana nem da interurbana.
Ficamo-nos pelos boatos, conscientes de que de momento não há evidências que os tornem verdade.
Certo é que aquela estratégia que João Rodrigues defendia como sendo “responsável” e a “única possível” em outubro, foi rasgada com a queda do BRT. Tentaram abafar o estrondo da queda de uma forma vulgar, com um investimento semelhante ao dos tempos do Santos da Cunha, mas afinal nada mais é do que um boato.
Há quem se compare a Santos da Cunha dizendo ser visionário, mas quiçá o que une essa comparação seja o amor ao tipo de liderança e de regime: autoritário, totalitário, fechado em gabinete, sem escutar as pessoas e os pares.
A elegância política de quem governa em minoria exigiria muito diálogo e verdade. Hoje encontramos falta de resposta, falta de diálogo e falta de explicações.
Com esta falta de estratégia, a mobilidade em Braga não vai melhorar. Nada está a ser preparado para resolver, rapidamente, os problemas de mobilidade. Andaram 12 anos a estudar sem executar e vão continuar a estudar, sem executar, pois a liderança é de continuidade.
A mobilidade induz-se, mas é preciso estratégia e ação.
