Todos os dias milhares de pessoas deslocam-se entre Braga, Guimarães, Barcelos, Vila Verde, Famalicão e Viana do Castelo. Trabalham num concelho, estudam noutro, fazem compras num terceiro e utilizam serviços espalhados por toda a região. No entanto, continuamos a depender quase exclusivamente do automóvel para fazer estas deslocações.
Apesar de estas deslocações representarem uma pequena parte do total de deslocações de cada concelho, as mesmas também têm de ser consideradas, pensadas e também precisam de soluções.
Caso contrário, o resultado é o que sentimos: congestionamento crescente nas entradas e saídas dos principais centros urbanos nas horas de ponta, dependência automóvel, custos elevados para as famílias e uma enorme pressão sobre as infraestruturas rodoviárias.
Ao contrário do que acontece noutras regiões europeias com dimensão semelhante, o Minho continua sem uma verdadeira rede de transporte público regional. Existem esforços das Comunidades Intermunicipais do Cávado e do Ave para melhorar a oferta rodoviária A realidade é que os autocarros, por si só, têm dificuldade em responder à dimensão dos fluxos diários que existem entre os principais concelhos da região e estão num conflito de espaço com o carro. Não é dada vantagem aos autocarros. O problema não é falta de procura. O problema é a falta de infraestrutura e de oferta.
Durante décadas investimos quase exclusivamente em estradas. Construímos variantes, alargámos vias, criámos nós rodoviários e multiplicamos estacionamentos. Mas continuamos sem uma rede ferroviária regional capaz de ligar eficazmente os principais centros urbanos do Minho.
Isso é particularmente estranho numa região onde as cidades estão relativamente próximas umas das outras. Braga e Guimarães distam pouco mais de vinte quilómetros. Braga e Barcelos pouco mais de vinte. Braga e Vila Verde menos de quinze. Estamos perante distâncias ideais para sistemas ferroviários regionais modernos.
É precisamente por isso que o conceito de Tram-Train ganha importância. Desenvolvido e popularizado em Karlsruhe, na Alemanha, permite que o mesmo veículo circule em linhas ferroviárias regionais e em carris urbanos. É, simultaneamente, comboio e elétrico.
Na prática, isto significa que um passageiro pode entrar num veículo num concelho vizinho e chegar diretamente ao centro urbano do seu destino sem necessidade de múltiplos transbordos. É uma solução que aproxima territórios, reduz dependência automóvel e aumenta a atratividade do transporte público.
Para além de dar resposta às deslocações interurbanas, dá resposta às deslocações urbanas que, em Braga, representam a grande maioria das deslocações.
Mais importante do que discutir uma tecnologia concreta é discutir uma visão para a região. O Minho não precisa apenas de mais estradas. Precisa de voltar a pensar-se como uma rede de cidades ligadas por transporte público estruturante.
Durante demasiado tempo planeamos a mobilidade regional sobre rodas. Está na altura de voltar a planear também sobre carris, tal como está aprovado no Plano Ferroviário Nacional.
Uma região competitiva não é aquela onde toda a gente precisa de conduzir. É aquela onde existe uma alternativa credível para quem não quer, não pode ou simplesmente não deve depender do automóvel.
O Minho precisa de carris. A mobilidade na região também se induz.
