Em Braga, a bicicleta continua a ser uma exceção na mobilidade diária. Apesar das distâncias curtas e do potencial da cidade, continua longe de ser uma opção para a maioria das pessoas.

Para aumentar o número de utilizadores de bicicleta, é necessário transformar o espaço público para que as pessoas se sintam seguras. No entanto, a infraestrutura para a bicicleta tem sido construída de forma fragmentada, sem efeito de rede, com critérios diferentes de intervenção para intervenção.

Não basta ter ciclovias. É preciso ter um sistema ciclável. Um sistema onde a infraestrutura seja uma das partes da solução. Neste sistema ciclável terá de ser considerado o bikesharing (sistema de bicicletas partilhadas).

Um bikesharing pode ser um instrumento para começar a oferecer soluções de mobilidade alternativas ao uso do carro. Não é lazer, é mobilidade. É dar respostas às deslocações curtas e à chamada “última milha”.

Cidades que integraram o bikesharing com os transportes públicos aumentaram significativamente a área de influência das paragens e conseguiram aumentar o uso da bicicleta como modo de transporte.

Um bikesharing sem condições de segurança não cria mobilidade, cria risco. Esperar por uma rede perfeita para avançar é adiar indefinidamente a mudança. É preciso ir construindo, ter um plano de uma rede, e ter um bikesharing.

Um bikesharing não funciona isolado e não substitui a infraestrutura. Funciona como parte de uma estratégia e acelera a utilização da rede existente. Para além de um mínimo de infraestrutura, de uma rede de ciclovias, é necessário que haja integração tarifária, facilidade de uso, que as estações estejam bem localizadas e que o sistema tenha escala.

Não podemos criar um bikesharing que seja apenas turístico ou simbólico. Braga não precisa de mais um projeto. Precisa de um sistema que funcione no dia a dia. A bicicleta pode ser parte da solução, se deixarmos de a tratar como exceção.

O Município de Lisboa optou por delegar na EMEL não só a instalação e operação do bikesharing, mas também a construção da rede ciclável.

Os bikesharing geram retorno económico e social relevante nos territórios onde são implementados, desde que sejam implementados com escala e sem entraves – como seja uma má infraestrutura, preços altos ou falta de manutenção que leve a um serviço ineficaz.A questão não é quanto custa o sistema. É quanto custa, e quanto tem custado, não fazer nada.

O problema não é as pessoas não quererem andar de bicicleta. Porque algumas pessoas querem. O problema é não ser fácil, nem seguro, fazê-lo. A mobilidade muda quando as opções mudam. E isso constroi-se.

A implementação deste sistema deve ter em conta a totalidade do sistema de mobilidade.

Não se pode investir só num modo de transporte, tem de se investir na mobilidade a pé, na mobilidade em bicicleta e na mobilidade em transporte público.

A mobilidade induz-se.